A idade média é conhecida tradicionalmente como a idade das trevas. O filme “O Nome da Rosa” aproveita-se dessa denominação para criar uma atmosfera ofensiva e obscura, onde todas as personagens parecem ter algo a esconder. A tela escura, a trilha sonora, as caricaturas, e até mesmo a própria trama sugere que não era fácil viver naquela época, ainda mais sob a supervisão tirana da inquisição. A igreja católica monopolizava tudo: terras, agricultura, comércio e principalmente informação, e contava com o dogmatismo religioso para manter o controle.
É justamente esse dogmatismo religioso que rege o enredo do filme. O protagonista e narrador, Adso, é um noviço que acompanha seu mestre, William de Baskerville, um monge franciscano racional e calculista, com alma de detetive. Juntos eles chegam a um remoto mosteiro, na Itália, e são convidados a desvendar o mistério de uma série de assassinatos. Segundo eles descobrem no decorrer da história, as mortes são resultado do fanatismo de um monge que tenta impedir a popularização do riso através de uma obra de Aristóteles. Para tanto, ele envenena as páginas do velho livro, e garante a morte de todos aqueles que não conseguem conter a curiosidade.
Embora tenham, afinal, desvendado o mistério, William e Adso precisam enfrentar a as normas cegas da igreja católica que, através do Grão-Inquisitor Bernardo Gui, interfere no caso e o classifica como crime de heresia, recusando-se a aceitar as provas de Willian (com quem já teve desavenças no passado).
A trama se desenvolve com um ritmo próprio, deixando espaço para que o espectador conheça melhor o protagonista, desde suas dúvidas sobre o amor, à confirmação de suas convicções. O filme é, na verdade, uma grande realização, pois remonta com grande êxito as controvérsias de uma época, sem, tampouco, esquecer que se trata de uma produção cinematográfica.

